Um livro tem autor. Uma revista tem editor. Um disco tem alguém que decidiu a ordem das faixas. Em quase toda forma de produto cultural, existe uma figura responsável pelas escolhas, alguém que pode ser nomeado, alguém que assume. Software, na maioria das vezes, não tem isso. É produto de comitê, de processo, de média.
A BLA trata seus apps de outro jeito. Um app da BLA tem autor, no sentido forte da palavra: tem alguém por trás com opinião sobre como aquilo deveria ser. Não é o resultado de um comitê buscando consenso, não é o que um teste A/B apontou como vencedor, não é a média do que o mercado faz. É decisão assumida.
Isso é o que a expressão produto editorial quer dizer, na prática. Editorial não é um estilo visual, não é uma paleta, não é uma fonte bonita. Editorial é a presença de um ponto de vista. É haver, em cada decisão do app, uma resposta pra pergunta quem decidiu isso, e por quê.
A diferença aparece nas escolhas difíceis. Quando um comitê decide, a tendência é o meio-termo, a opção que desagrada menos, o consenso morno. Quando um autor decide, a opção pode ser mais arriscada, mais nítida, mais opinativa. Pode até estar errada. Mas é uma escolha, não uma média, e escolhas têm forma. Médias não têm.
Ter autor também muda a relação com quem usa. Um app anônimo não deve satisfação a ninguém. Um app assinado, sim. Quando existe alguém por trás, existe alguém que responde pelo que ficou bom e pelo que ficou ruim. A assinatura é, ao mesmo tempo, uma garantia e uma exposição. Quem assina, se compromete.
Não significa que o app seja perfeito, ou que o autor acerte sempre. Livros têm capítulos fracos, revistas têm edições piores. Significa que existe coerência: as decisões conversam entre si porque saíram da mesma cabeça, com o mesmo critério. O app tem unidade, e unidade é coisa que comitê raramente produz.
É por isso que os apps da BLA conseguem se parecer entre si sem serem iguais. Eles compartilham um autor, e o autor carrega um jeito de pensar de um app pro outro. A linha inteira é, nesse sentido, uma obra autoral em vários volumes, não um catálogo de produtos desconexos.
Software também tem autor. Não deveria ser uma frase surpreendente, mas é, porque a indústria acostumou todo mundo a tratar app como coisa que simplesmente aparece, sem mão visível. A BLA insiste no contrário. Cada app é feito por alguém, com opinião, e essa é a coisa mais importante que se pode dizer sobre ele.