A maioria dos apps é construída olhando um painel. Quanto tempo o usuário ficou, em que tela ele desistiu, qual botão converteu mais, qual versão reteve melhor. O painel vira o chefe. As decisões sobre o app passam a responder ao gráfico: muda-se o que o número pede que se mude.
Os apps da BLA não têm esse painel. Sem analytics, sem rastreamento de comportamento, sem funil, sem teste A/B. A BLA não sabe quanto tempo você passou no app, não sabe em que tela você fechou, não sabe qual recurso você mais usou. Essa ignorância é deliberada.
À primeira vista parece uma renúncia, até uma ingenuidade. Como melhorar um app sem medir o app? Mas a pergunta esconde uma armadilha. Medir não é neutro. No momento em que você tem o número de retenção na tela, você começa a querer mexer no app pra esse número subir. E o que faz um número subir nem sempre é o que faz o app ficar melhor.
Funções que aumentam engajamento costumam ser funções que aumentam dependência: notificação que puxa de volta, recompensa que vicia, fricção colocada de propósito pra você ficar mais. Um app que persegue o gráfico tende, com o tempo, a virar contra quem usa. Não por maldade, por gravidade. O número puxa.
Sem o painel, a BLA decide outra coisa. Decide se o app está bom. Não se o app está retendo, não se o app está convertendo, mas se ele está bom, no sentido editorial e quase artesanal da palavra. A pergunta deixa de ser o que o dado pede e volta a ser o que esse app deveria ser.
É uma pergunta mais difícil, porque não tem resposta automática. Um gráfico responde sozinho. Um critério editorial exige que alguém pense, decida e assuma. Mas é também a única pergunta que mantém o app servindo a quem o usa, e não à curva de uso.
Existe um custo, e a BLA não finge que não existe. Sem medir, não há funil pra otimizar, não há teste A/B pra rodar, não há certeza estatística de nada. A BLA troca a certeza do número pela coerência da decisão. É uma troca, e é uma troca assumida.
No fim, é a diferença entre um produto editorial e um produto de métrica. Um responde a uma cabeça que decidiu como aquilo deveria ser. O outro responde a um painel. A BLA escolheu o primeiro, e a ausência de analytics nos apps é o que mantém essa escolha de pé todo dia.