Goiânia entrou na história da BLA pela porta do primeiro app, contada como contraponto. Não é um app feito no Vale do Silício. Não é um app feito na Faria Lima. É um app feito em Goiânia. Na época, parecia um detalhe de origem, o tipo de informação que aparece no rodapé. Não era.
Goiânia não é o endereço de um app. É o ponto de vista de todos eles. Endereço é onde a empresa está registrada, e isso pouco importa pra quem usa. Ponto de vista é de onde se enxerga, e isso muda tudo: muda o que parece prioridade, o que parece óbvio, o que parece dispensável.
Quem faz produto a partir dos grandes centros de tecnologia enxerga o mundo a partir dali. As referências são as de lá, os problemas que parecem urgentes são os de lá, o usuário imaginado é o de lá. Não é má-fé, é geografia. Você enxerga do lugar onde está.
A BLA enxerga de Goiânia. Isso significa um usuário imaginado diferente, uma noção diferente do que é uma conexão de internet comum, uma sensibilidade diferente pro que cansa e pro que acalma, uma desconfiança natural do que é moda passageira. Não é melhor nem pior. É outro ângulo, e o ângulo aparece no produto.
Por isso a lente vale pra linha inteira, não pro primeiro app só. Cada app da BLA carrega o olhar de quem faz longe dos eixos. Um app de notas pensado de Goiânia, um app de lanterna pensado de Goiânia, um app de inclusão pensado de Goiânia. O lugar não é cenário. É parte de como a decisão é tomada.
Tem um valor em assumir isso publicamente, em vez de esconder. A indústria de tecnologia tem um centro de gravidade muito forte, e a tendência é todo mundo tentar soar como se fosse de lá. A BLA faz o contrário. Diz de onde fala, porque de onde se fala faz parte do que se diz.
Não é bairrismo, e não é folclore. Goiânia não aparece nos apps como sotaque caricato ou como enfeite regional. Aparece como perspectiva: a perspectiva de quem não está no centro e, por isso mesmo, enxerga o centro de fora, com a distância que permite escolher o que adotar e o que recusar.
Quando a BLA diz que Goiânia é ponto de vista, está dizendo que a distância dos eixos é uma vantagem editorial, não uma desvantagem a ser compensada. Os apps da linha são o que são em parte porque foram pensados de onde foram pensados. O lugar entrou no produto.