inspirações · Literatura

Cora Coralina

Brasil · 1889-1985 · Literatura

Poeta goiana. Publicou primeiro livro aos 76 anos. Voz interiorana, sabedoria sem solenidade. Doceira de profissão, poeta por vocação.

bio

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, depois conhecida como Cora Coralina, nasceu em Goiás Velho, então capital de Goiás, em 1889. Estudou só até o quarto ano primário, formação considerada suficiente pra moças do interior na época. Casou aos 21 anos com Cantídio Tolentino Bretas, com quem teve seis filhos, mudou-se pro interior de São Paulo e viveu lá por mais de 40 anos como dona de casa.

Escrevia versos desde adolescente, em segredo. Publicava esporadicamente em jornais regionais, sob pseudônimo. Nunca insistiu em publicar livro. Quando o marido morreu em 1934, ela continuou em São Paulo com os filhos, vivendo com dificuldade financeira. Em 1956, voltou pra Goiás Velho, abriu uma fábrica caseira de doces cristalizados (especialmente figada e laranja-da-terra), e foi com a renda dos doces que se sustentou até morrer.

Em 1965, aos 76 anos, conheceu Carlos Drummond de Andrade por correspondência. Drummond leu os poemas dela e a incentivou a publicar. Em 1965, finalmente saiu o primeiro livro: "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais", pela Edições José Olympio. Outros livros vieram em sequência: "Meu Livro de Cordel" (1976), "Vintém de Cobre" (1983).

Recebeu o Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano em 1983, aos 94 anos. Morreu em 1985, em Goiânia, aos 95 anos. A casa onde ela viveu em Goiás Velho virou museu (Museu Casa de Cora Coralina), aberto ao público até hoje. A obra dela mistura prosa poética com biografia, memória do sertão goiano, observação afetiva do interior.

por que inspira a BLA

Cora é a referência mais íntima da BLA. Goiana, escreveu o que escreveu sem pressa de ser publicada, sem ambição de cena literária. Doceira pela manhã, poeta à tarde. A BLA é estúdio em Goiânia que publica sem urgência fabricada, com cuidado de quem cristaliza fruta na chapa. Cada app é um doce, com tempo próprio. Saiu, está pronto. Não saiu, continua na panela.

pra conhecer melhor

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