Resta 1 não é um jogo, são cinco. A regra do pulo é a mesma. A geometria do tabuleiro muda tudo: tempo de partida, curva de aprendizado, tipo de raciocínio.
Quem joga só uma variante a vida toda perde quatro experiências diferentes.
Cruz Inglesa, 33 buracos
O que a maioria pensa quando ouve Resta 1. Cruz simétrica, braços iguais de três casas, quadrado central de três por três. Posição inicial: 32 pinos, centro vazio.
É o tabuleiro mais difundido no mundo. As estratégias clássicas (sequência de Bell, pacotes de três, regra da simetria) são otimizadas pra ele. A literatura matemática (incluindo o invariante de Conway) usa essa variante como referência.
Tempo médio: 10 a 15 minutos. Dificuldade pra vencer: média. Pra fechar no centro: alta.
Cruz Francesa, 37 buracos
Quatro buracos a mais que a inglesa. Foi a variante que apareceu na gravura de 1697 com a princesa de Soubise.
Mais espaço, mais combinações, mais finais possíveis. Em compensação, partidas mais longas, finais menos previsíveis. Quem aprendeu na Inglesa precisa recalibrar várias intuições.
Tempo médio: 15 a 20 minutos. Dificuldade: média alta nos últimos dez movimentos.
Triangular, 15 buracos
Quinze buracos em triângulo equilátero, cinco por lado. Variante popular no Japão (parte da tradição Senku).
Tem uma particularidade: pulos diagonais são permitidos. Seis direções de movimento em vez de quatro. Mais opções por jogada, e também mais decisões pra avaliar.
É a variante de entrada. Tabuleiro pequeno, partidas curtas, dificuldade gerenciável. Em cinco minutos você joga uma partida inteira. Em quinze, joga três e aprende três coisas novas. Quem nunca jogou Resta 1 deveria começar aqui.
Tempo médio: 3 a 7 minutos. Dificuldade pra vencer: baixa a média.
Diamante, 41 buracos
Losango com diagonais iguais. A simetria mais limpa de todas as variantes: dois eixos perpendiculares perfeitos.
Por causa do tamanho e da simetria diagonal, partidas no Diamante exigem mais planejamento. Você precisa enxergar oito ou dez movimentos à frente com frequência.
É a preferida de quem gosta de partidas longas e meditativas. Tempo médio: 20 a 30 minutos.
Octogonal, 45 buracos
Octógono regular. Sem eixo cardinal claro, o que cria caminhos não óbvios.
É a menos estudada matematicamente e a que mais surpreende. Estratégias da Cruz Inglesa funcionam parcialmente. O Octogonal recompensa abordagens criativas que pareceriam erradas em outras variantes.
Tempo médio: 15 a 25 minutos. Dificuldade alta, mas de tipo diferente.
| Variante | Buracos | Tempo médio | Dificuldade | Indicado pra |
|---|---|---|---|---|
| Triangular | 15 | 3 a 7 min | Baixa a média | Começar |
| Cruz Inglesa | 33 | 10 a 15 min | Média | O clássico |
| Cruz Francesa | 37 | 15 a 20 min | Média alta | Quem dominou a Inglesa |
| Diamante | 41 | 20 a 30 min | Alta | Planejamento longo |
| Octogonal | 45 | 15 a 25 min | Alta criativa | Quem quer surpresa |
A ordem de aprendizado
- Triangular primeiro. Partidas curtas, lógica do pulo aprendida em uma semana.
- Cruz Inglesa depois. Padrão, peso histórico, maioria do conteúdo do mundo.
- Cruz Francesa em terceiro. Você já está acostumado à lógica do pulo ortogonal.
- Diamante e Octogonal em paralelo, conforme curiosidade. Não tem ordem certa.
Pular essa ordem é tentador, e resulta em três meses de frustração até desistir.
No app
Resta 1 BLA tem as cinco variantes. A Cruz Inglesa abre direto. As outras quatro destravam com uma compra única opcional. Disponível na App Store.
Perguntas frequentes sobre as variantes do Resta 1
Qual variante é mais fácil pra começar?
A Triangular de 15 buracos. Tabuleiro pequeno, partidas de 3 a 7 minutos, possibilidade de pulos diagonais. Quem nunca jogou deveria gastar a primeira semana só nela.
A Cruz Francesa é mais fácil ou mais difícil que a Inglesa?
Mais difícil em duração e em número de movimentos a planejar. Tem mais finais válidos possíveis, então é tecnicamente mais difícil de dominar, mas mais permissiva pra começar uma partida sem trancar logo.
Pulo diagonal vale em todas as variantes?
Não. É regra padrão apenas na Triangular. Nas outras quatro, apenas pulos ortogonais valem. Alguns autores propõem variantes com diagonal da Cruz Inglesa, mas é exceção.
Existem outras variantes além dessas cinco?
Sim, muitas. Hexágono, estrela, formatos com 21, 27 ou 51 buracos foram propostos em livros do século XIX e XX. A maioria não pegou. As cinco que sobreviveram são as que combinam beleza geométrica, dificuldade calibrada e história longa.
Vale a pena aprender mais de uma variante?
Sim. Cada variante exige raciocínio diferente. Quem alterna desenvolve flexibilidade espacial mais ampla. É o equivalente, no Xadrez, a estudar partidas com diferentes aberturas em vez de só uma.