Cruzadinha · 8 min de leitura

Cruzadinha em português, 100 anos

De 1913 nos Estados Unidos pra Coquetel, pro jornal de domingo, pra tela do iPhone.

Toda cruzadinha que você joga hoje, em jornal, revista ou aplicativo, em qualquer língua, descende de uma única grade publicada em 21 de dezembro de 1913. Era um suplemento de domingo do jornal New York World. O passatempo se chamava Word-Cross. O autor era um jornalista britânico chamado Arthur Wynne. A grade tinha forma de diamante e sem casas pretas.

Em 100 anos, a cruzadinha atravessou idiomas, viu impérios editoriais nascer e morrer, virou ritual de família, recolheu nos anos 90, e está agora em outra onda. A história em PT-BR tem cinco capítulos.

Capítulo 1, 1913 a 1924, Word-Cross vira crossword

Arthur Wynne nasceu em Liverpool, foi pra Pittsburgh aos 19 anos, e em 1913 trabalhava como editor de passatempos do New York World. O dono do jornal queria algo novo pra suplemento de domingo. Wynne lembrou de um jogo da infância chamado Magic Square e desenhou uma grade em forma de diamante, com palavras se cruzando.

A primeira Word-Cross saiu em 21 de dezembro de 1913, com 32 dicas. Um erro de revisão na semana seguinte trocou Word-Cross por Cross-Word. O nome pegou. Em 1924, a editora Simon & Schuster publicou o primeiro livro de cruzadinhas. Em três meses, virou best-seller. O passatempo já era moda nos EUA.

Capítulo 2, anos 1920 e 30, a cruzadinha chega ao Brasil

A cruzadinha brasileira começou em revistas infantis e adultas dos anos 1920. A revista O Tico-Tico, voltada pra crianças, publicava palavras cruzadas a partir de meados da década. As primeiras revistas de passatempo dedicadas surgiram no fim dos anos 20 e início dos 30.

Foi nesse período que a cruzadinha brasileira ganhou sua identidade. Sem palavras de 2 letras (a tradição americana permite, a brasileira não). Blocos pretos rítmicos. Dicas em prosa em vez de dicas crípticas estilo Times de Londres. Um sotaque editorial próprio que sobreviveu por 100 anos.

Capítulo 3, anos 1950 a 1960, ritual de jornal de domingo

A cruzadinha grande de jornal se consolidou na metade do século 20. Os grandes jornais brasileiros (Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil) abriram espaço fixo pra cruzadinha dominical. Era ritual de família: o jornal aberto, alguém com a caneta, o café esfriando.

O formato 15×15 se firmou nessa época. Espaço pra tema, pra trocadilho, pra palavra incomum. Cabia na página dobrada do jornal aberto. Em meados dos anos 60, era inconcebível um jornal brasileiro grande sem cruzadinha de domingo.

Capítulo 4, anos 1970 e 1980, a era da Coquetel

A Coquetel, editora de passatempos fundada em 1948 no Rio de Janeiro, viveu sua era de ouro nos anos 70 e 80. As revistas de cruzadinha da Coquetel viraram parte do mobiliário cultural brasileiro. Banca de jornal sem revista da Coquetel não era banca de jornal. Sala de espera sem revista da Coquetel não era sala de espera.

Ao mesmo tempo, livros didáticos brasileiros começaram a usar cruzadinhas como ferramenta pedagógica. Cruzadinha de escola, cruzadinha de revista, cruzadinha de jornal. Três frentes vivas no mesmo período.

Quem nasceu antes de 1990 quase certamente lembra de alguém da família que se dedicava à cruzadinha de domingo todo fim de semana.

Capítulo 5, anos 2000 a 2020, o silêncio e a volta

Os anos 2000 e 2010 foram silenciosos pra cruzadinha brasileira. O jornal impresso encolheu, a revista de passatempo também. Surgiu uma geração de apps digitais de cruzadinha em PT-BR, mas a maioria seguiu o molde do jogo grátis com anúncio: grade colorida, dica curta tipo dicionário, anúncio entre puzzles. Cabia, resolvia, esquecia.

Na década de 2020, começou uma volta editorial. Aplicativos com voz e cuidado, fora do molde do jogo grátis. Sites de cruzadinha temáticos. Newsletters dedicadas. O ritmo da cruzadinha grande de domingo, que parecia perdido, virou bandeira em alguns projetos.

A Cruzadinha BLA chegou na App Store em maio de 2026 como parte dessa onda. App em PT-BR, com dicas escritas por quem gosta de ler, Mini do Dia 5×5, Domingão 15×15, acervo por tema. Sem anúncio, sem coleta de dados, no ritmo de jornal.

O que muda em 100 anos

A grade muda pouco. A grade da Word-Cross de 1913 hoje pareceria uma cruzadinha estranha (forma de diamante, sem casas pretas), mas o princípio é o mesmo: palavras que se cruzam, dicas que abrem caminho. O que muda é o que cabe na dica, o ritmo de publicação, e o tipo de cuidado editorial.

A cruzadinha brasileira sempre teve uma personalidade própria. Dicas em prosa, sem palavras de 2 letras, blocos rítmicos. Esse jeito atravessou as cinco eras e continua vivo. A Cruzadinha BLA é uma das maneiras dele continuar em 2026.

Perguntas frequentes

Quem inventou a cruzadinha?

Arthur Wynne, jornalista britânico radicado nos Estados Unidos. A primeira cruzadinha saiu em 21 de dezembro de 1913 no jornal New York World, com o nome Word-Cross.

Quando a cruzadinha chegou ao Brasil?

Nos anos 1920, em revistas infantis (O Tico-Tico) e nas primeiras revistas de passatempo dedicadas. A cruzadinha brasileira ganhou identidade própria nesse período: sem palavras de 2 letras, blocos rítmicos, dicas em prosa.

O que é a Coquetel?

Editora de passatempos fundada em 1948 no Rio de Janeiro. Foi a referência da cruzadinha brasileira em revista durante a segunda metade do século 20, com pico nos anos 70 e 80.

Como a cruzadinha brasileira é diferente da americana?

Três traços principais: sem palavras de 2 letras (a americana permite), blocos pretos rítmicos formando padrão visual, e dicas em prosa em vez de dicas crípticas. A cruzadinha brasileira herdou a estrutura da americana, mas desenvolveu sotaque editorial próprio.

A Cruzadinha BLA está na App Store, grátis. Você baixa em https://apps.apple.com/app/cruzadinha-bla/id6769588425, ou abre a página do app em https://bla.vc/apps/cruzadinha.

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