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Como nasceu o Pequi BLA, da ideia ao botão de play

O making of editorial do Pequi BLA. Da pesquisa nos parques estaduais reais à criação dos vilões, dos cinco cenários ao cartão de fim de fase. Como um arcade brasileiro pra iPhone vira obra publicada.

A ideia do Pequi BLA chegou pronta no carro, como costuma chegar coisa em Goiânia. Ivan Grycuk estava dirigindo, pensando em Cerrado, e a frase apareceu: defender os parques estaduais. Um arcade. Vilões caindo do céu. O Pequi como personagem. Parou o carro, anotou no Notas BLA.

Esse texto conta o que aconteceu depois. Da anotação no semáforo à App Store, sete passos editoriais.

Passo 1: o tema

O ponto de partida não foi mecânica. Foi tema. O Cerrado de Goiás precisa de atenção, e quase nenhum jogo brasileiro fala dele. A maior parte da literatura ambiental sobre o bioma é institucional, ensaística ou ativista. Falta arcade. Falta gesto curto. Falta divertimento que carregue causa por baixo.

O Pequi BLA nasceu pra preencher essa lacuna específica. Não pra ensinar tudo. Pra colocar você do lado certo da história por trinta segundos por fase.

Passo 2: os parques

O segundo passo foi escolher os cenários. A regra editorial: lugares reais, com nome conhecido em Goiás, com fragmento de Cerrado preservado. A lista veio do site oficial do governo de Goiás, dos parques estaduais oficiais. Cinco escolhidos por diversidade ecológica e geográfica.

Pireneus (perto de Pirenópolis, com nascentes do Tocantins). Terra Ronca (caverna no nordeste, em São Domingos). Serra Dourada (quartzitos em Goiás Velho). Caldas Novas (águas termais no centro-sul). Altamiro (entorno de Goiânia, pulmão verde da capital).

Cada parque virou cenário com cor, faixa atmosférica e dificuldade própria. A pesquisa pra montar cada um durou semanas. Fotografia aérea, mapa do governo de Goiás, leitura de relato de visitante. O cenário precisa parecer o parque real, mesmo que estilizado.

Passo 3: os vilões

O terceiro passo foi nomear o que ameaça o Cerrado. A pesquisa partiu de fonte pública: MapBiomas, INPE, Ministério do Meio Ambiente. Três frentes apareceram em todo dado: mineração ilegal, fogo provocado, desmatamento mecânico. Daí vieram as três categorias do jogo.

Cada categoria precisava de três vilões distintos: pequeno, médio e chefão. Pra mineração: martelo, pá, chefão do garimpo. Pra fogo: fósforo, lenha em chamas, grande incêndio. Pra desmatamento: serrote, motosserra, trator devastador.

A escolha não é metáfora vaga. É descrição editorial. Cada vilão representa algo que acontece com o Cerrado real, traduzido em silhueta que cabe na tela do iPhone.

Passo 4: o personagem

O quarto passo foi desenhar o Pequi. A primeira pergunta: humano ou fruta? Resposta editorial: fruta. O pequi é símbolo do Cerrado, e o personagem precisa carregar esse símbolo no nome. Daí veio o desenho: redondo, dourado, com espinhos prontos.

A escolha do nome também passou por filtro. Podia ser Lobinho (de lobo-guará), Tatu (de tatu-canastra), Tamanduá (de tamanduá-bandeira). Escolhemos Pequi porque ele é o que o Cerrado tem de mais reconhecível em mesa brasileira. Quem nunca viu lobo-guará, já comeu arroz com pequi.

O Pequi atira espinhos como uma árvore atira semente. Cada acerto planta a vegetação de volta como broto verde. A metáfora vem da própria vida da árvore: o pequi resiste ao fogo, e o que cai no chão vira novo pequi.

Passo 5: o ritmo

O quinto passo foi ajustar o ritmo de fase. Quantos segundos? Quantos vilões? Quantos chefões? Em quanto tempo o jogo começa a apertar?

A decisão final: trinta segundos por fase, vilões comuns intercalados com chefões. Vinte e cinco fases no total, divididas em cinco parques de cinco níveis. Nível 1 com um chefão, nível 5 com cinco. A escalada é gradual, mas notável.

O ritmo de tiro também ganhou regra editorial. Segura o dedo, atira contínuo. Solta, para. Sem munição finita. Sem cooldown. O recurso escasso é a vida do parque, não o tiro. A escolha simplifica o controle e foca o jogo no que importa: defender o parque o tempo todo.

Passo 6: o cartão de fim de fase

O sexto passo foi o que vem depois de cada vitória. A escolha foi um cartão compartilhável de 1080 por 1920, no formato story. Três selos no topo, um pra cada categoria de ameaça neutralizada. Nome do parque, número da fase, pontuação.

O cartão tem função dupla. De um lado, fecha a fase com elemento visual memorável. De outro, vira convite editorial: quem compartilha o cartão leva o Pequi BLA pra outra pessoa, sem precisar do estúdio fazer publicidade. O cartão é a propaganda do app.

A escolha de não ter login, não subir nada pra servidor, não pedir cadastro pra compartilhar, é coerente com o resto da BLA. O cartão fica no álbum do iPhone, do jeito que ficaria qualquer foto.

Passo 7: os testes

O sétimo passo foi testar com gente. A BLA não tem time de QA dedicado, então o teste foi feito em ciclos curtos com pessoas próximas: família, amigos, sobrinho de oito anos. Cada um jogava por dez minutos e reportava o que travou.

O sobrinho de oito anos foi quem mais quebrou o app, do jeito que só criança quebra. Tocou onde não devia, esperou onde não devia, descobriu que segurar o dedo no canto cobria mais ângulos. Várias decisões editoriais finais vieram de observar essas sessões.

Depois dos testes em casa, veio TestFlight com lista pequena de gente convidada. Cada feedback virou ticket. Cada ticket virou ajuste. Em algumas semanas, o app estava pronto pra submeter à Apple.

Submissão à App Store

A submissão é o passo zero do mundo público. O Pequi BLA precisou de screenshots em duas resoluções, de descrição em vários idiomas, de keywords, de classificação 4+, de Privacy Manifest. Cada detalhe foi tratado com a mesma calma de quem escreve copy editorial.

A Apple revisou. Em alguns dias, aceitou. O Pequi BLA entrou na App Store em 2026, pra iPhone com iOS 18 ou superior.

Cada fase de arcade no Pequi BLA é trinta segundos. Cada decisão editorial do app levou dias. Não tem proporção entre o tempo de criar e o tempo de jogar. Não devia ter.

Ivan Grycuk

O que muda na próxima versão

Em versões futuras, o Pequi BLA ganha mais detalhe de pesquisa em cada parque, mais variação visual nos vilões, e talvez um modo novo de defesa coletiva. Tudo passa pelo mesmo crivo editorial dos sete passos. Nada entra pra ocupar espaço.

Perguntas frequentes

Quem criou o Pequi BLA?

A BLA Publicações e Conteúdo Digital, estúdio editorial independente baseado em Goiânia, dirigido por Ivan Grycuk. Cada parque, cada vilão, cada string do app foi decidido em casa, com pesquisa em fonte pública.

Quanto tempo levou pra fazer o app?

Da primeira anotação no Notas BLA à publicação na App Store, alguns meses. A pesquisa nos cinco parques estaduais foi o passo mais demorado. A mecânica em si fechou rápido depois que o tema estava cravado.

Por que o nome do app é Pequi BLA, e não outro fruto do Cerrado?

Porque o pequi é o que o Cerrado tem de mais reconhecível pra brasileiro de qualquer região. Quem nunca viu lobo-guará, já comeu arroz com pequi. O nome do app é convite e é gesto de mesa.

O Pequi BLA usa dado real de desmatamento do Cerrado?

O guia em Configurações cita o MapBiomas, o INPE e o Ministério do Meio Ambiente como fonte. O guia traz dado público de proteção do bioma. O jogo em si não simula, é arcade. A pesquisa entra na narrativa, não no algoritmo.

Existe versão pra outras regiões do Brasil?

Por enquanto, não. O Pequi BLA é especificamente sobre os parques estaduais de Goiás. Versões pra outros estados do Cerrado ou pra outros biomas podem nascer no futuro, mas cada uma seria obra editorial separada, com pesquisa própria.

Como a BLA decidiu a estética visual do jogo?

A estética segue a identidade visual da BLA: editorial, com cor calma e tipografia em monospaced. O Pequi dourado central, faixas cromáticas por parque, vilões em silhueta clara. O detalhe gráfico mora em outro lugar, em DEV interno do estúdio.

O Pequi BLA está na App Store. Cinco parques estaduais reais de Goiás. Vinte e cinco fases. Um Pequi. https://apps.apple.com/app/pequi-bla/id6773105306

BLA é um estúdio editorial independente, dirigido por Ivan Grycuk. Apps para pessoas.

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