Cultura · 7 min de leitura

Cadernos de escritor, de Joan Didion a Anaïs Nin

Por que manter cadernos é prática antiga de escritores sérios. Joan Didion, Anaïs Nin, Susan Sontag, Marcus Aurelius. Como o Notas BLA entra nessa linha.

Joan Didion publicou em 1968 um ensaio chamado On Keeping a Notebook, que abre com uma frase que vale guardar: ela escreve sobre como manteve cadernos a vida inteira, e como esses cadernos não eram pra publicar nem pra lembrar fatos, eram pra ela mesma. Susan Sontag manteve diários do começo ao fim da vida, publicados póstumos em dois volumes que cabem em qualquer estante. Anaïs Nin manteve diário em onze volumes, do começo do século vinte ao ano da morte. Marcus Aurelius escreveu Meditações como caderno pessoal há quase dois mil anos, sem intenção de publicar, e o livro continua sendo lido.

O que esses cadernos têm em comum é o seguinte: não eram pra ninguém ler. Eram pra clarificar pensamento. Joan Didion, no mesmo ensaio, escreve que mantém o caderno pra lembrar como era ser ela, em vários momentos, e que isso é diferente de lembrar o que aconteceu. Não é diário, é arquivo de presença.

A prática sobrevive porque escrever clarifica. Você tem uma sensação difusa de que algo importa, abre o caderno, escreve cinco parágrafos, e descobre o que importa. Não é mágica, é processo. Quem escreve por trinta minutos por dia, mesmo que ninguém leia, pensa de jeito diferente de quem só pensa na cabeça.

O caderno físico segue vivo. Moleskine vende milhões por ano. Leuchtturm 1917 virou objeto de culto entre quem usa Bullet Journal. Field Notes faz cadernos pequenos pra bolso de calça jeans. Há valor real no papel: a tactilidade, a ausência de notificação, a página em branco que não tem barra de scroll.

Mas o caderno digital tem vantagens que o físico não tem. Você pode pesquisar texto completo. Você pode sincronizar entre iPhone, iPad e Mac. Você pode exportar pra qualquer formato. Você pode fazer backup automático sem pensar. Você pode escrever no celular dentro do ônibus em três cliques, sem precisar tirar o caderno físico da bolsa.

O Notas BLA é uma tentativa de fazer um caderno digital com o cuidado editorial de um caderno físico. Tipografia editorial em serif Literata, paleta calma em Areia BLA, sem badge de notification chamando atenção, sem som de teclado simulado, sem gamificação. Você abre, escreve, fecha. No dia seguinte abre de novo, escreve mais. Em três anos, acumula um arquivo pessoal real.

O Carrossel embutido é o que diferencia do caderno tradicional. Você escreve uma nota com cinco H2 sobre o livro que leu, toca um botão, e tem cinco cards prontos pra Instagram. Mas a feature é opcional. Você pode passar três anos no Notas BLA escrevendo só pra você mesmo, sem nunca tocar o Carrossel. O caderno funciona como caderno.

Toda casa editorial deveria ter um app de notas pensado pra escrever. A BLA tem. Você pode usar também. Compra única, sem assinatura, sem coleta. Você abre, escreve, e em algum momento descobre o que importa.

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Notas BLA

Texto vira carrossel num toque. Você escreve a nota, o app transforma em imagem pra postar em carrossel. Markdown invisível. Universal pra iPhone, iPad e Mac. Compra única, sem assinatura.