Apps · 6 min de leitura

A BLA sempre fez apps, só não chamava assim

Programação não é capítulo recente da BLA. É a competência mais antiga do seu diretor, que começou em 1996. A linha de apps não foi virada de mesa, foi nome novo pra uma prática que já vinha de longe.

Existe uma leitura fácil sobre a BLA fazer apps: a de que uma agência de conteúdo resolveu, em algum momento, entrar numa área nova. A leitura é compreensível e está errada. Programação não é capítulo recente da BLA. É a competência mais antiga do seu diretor, mais antiga que o branding, mais antiga que a edição, mais antiga que a própria empresa. A linha de apps não foi virada de mesa. Foi nome novo dado a uma prática que já vinha de muito longe.

O primeiro curso de informática do Ivan Grycuk, fundador da BLA, foi em 1996, aos oito anos de idade. Era a única criança na turma, cercado de adultos, aprendendo a programar em HTML. Não parou ali. Aos doze, já escrevia textos e personalizava os próprios blogs direto no código, mexendo na estrutura da página com a mesma naturalidade com que escrevia o conteúdo dela. Texto e código nunca foram, pra ele, disciplinas separadas. Cresceram juntos.

Depois veio a edição. A BLA nasceu como casa de conteúdo e branding, e foi ali que o Ivan passou duas décadas afinando o ouvido pra voz, pra ritmo de texto, pra o que faz uma marca soar como ela mesma. O PODharmonizar, podcast autoral que entrou no top 15% do Spotify, é parte dessa escola. Edição não é decoração. É a disciplina de decidir o que fica, o que sai, e como o que fica deve soar.

Em 2018 veio a terceira camada. O Ivan foi sócio fundador de uma startup de tecnologia, e ali aprendeu o que nenhum curso de código ou de edição ensina sozinho: a disciplina de produto. Prazo, ciclo de entrega, time técnico, a distância real entre uma boa ideia e uma ideia que chega à mão de quem vai usar. Produto é uma competência própria, e ela se aprende construindo, errando e entregando.

E durante todo esse tempo, em paralelo, o Ivan fez apps. Não pra vender, não pra anunciar. Apps pequenos, pro uso pessoal, no próprio iPhone, resolvendo problemas concretos do próprio dia. A prática nunca foi interrompida pra depois ser retomada. Ela só não tinha nome, não tinha vitrine e não era assunto. Era ofício silencioso, do tipo que se faz porque se gosta.

O que mudou foi a confluência. Código vindo de 1996. Edição vinda de duas décadas de BLA. Produto vindo de 2018. Três competências que cresceram em trilhos separados e, em determinado ponto, passaram a correr no mesmo. Quando isso acontece, fazer apps com acabamento editorial e identidade própria deixa de ser um salto arriscado. Vira o passo óbvio. Não é conexão de pontos distantes. É confluência de coisas que sempre estiveram indo na mesma direção.

Isso muda o que um app BLA é. Não é experimento de quem está testando uma área desconhecida pra ver se cola. É trabalho de quem tem quase três décadas de relação com código e duas com edição, decidindo aplicar as duas coisas juntas, de propósito. Quando você abre um app da BLA, o cuidado que você sente não é sorte de iniciante. É consequência de uma trajetória longa, reunida sob um mesmo teto.

Por isso o título: a BLA sempre fez apps, só não chamava assim. O que aconteceu não foi uma empresa de conteúdo descobrir tecnologia. Foi alguém que sempre programou, sempre editou e já tinha construído produto decidir parar de fazer isso de forma dispersa e assumir, publicamente, como linha. O nome é novo. A prática, não.