A BLA tem uma régua que todo app precisa passar antes de virar projeto: alguém usaria isso como o app principal pra essa função? Não um app que a pessoa tem instalado e esquece. O app que ela abre quando precisa daquilo. A pergunta parece simples. Ela é eliminatória.
O que torna a régua interessante não é o que ela rejeita. É o que ela faz com o que não passa de primeira. Uma régua comum funcionaria como porta: passou, entra; não passou, fica de fora. A régua da BLA funciona diferente. Quando uma ideia não passa, ela não vai pro lixo. Ela volta pra prancheta.
Pegue o exemplo de uma lanterna. Um app de lanterna genérico não passa na régua. Ninguém escolhe um app de lanterna genérico como app principal de lanterna, porque o próprio sistema do telefone já faz isso. A ideia, do jeito que chegou, está reprovada. Numa lógica de porta, acabou aqui.
Mas a régua da BLA pergunta a coisa seguinte: o que precisaria ser verdade pra essa ideia passar? E aí a ideia é reescrita. Uma lanterna sem anúncio, sem login, sem coleta de dados. Com presets pensados pra situações reais. Com SOS em código Morse internacional de verdade. Com widget na tela de bloqueio. Essa lanterna passa, porque agora existe gente pra quem ela é, sim, a lanterna principal.
A ideia não mudou. A função continua sendo iluminar. O que mudou foi a forma: o conjunto de decisões em volta da função, que transformam um utilitário óbvio em um produto que alguém escolhe de propósito. A régua não matou a ideia da lanterna. Ela redesenhou o app até a lanterna ter motivo pra existir.
Isso vale pra linha inteira. Nenhum app da BLA é a primeira versão da ideia que o originou. Todos passaram por esse processo de serem reescritos contra a régua, perdendo o que era genérico e ganhando o que os torna escolhíveis. O que chega à App Store é a versão que passou, não a versão que foi sonhada.
Tem uma vantagem editorial nesse método. Quando você descarta ideias, você termina com poucas ideias e muito medo de errar. Quando você reescreve ideias contra uma régua, você termina com ideias mais fortes e um critério claro do que as torna fortes. A régua não é um filtro de pessimismo. É uma ferramenta de design.
É por isso que a pergunta sobre usar o app como principal não é feita uma vez, no começo. Ela é feita o tempo todo, durante o projeto, empurrando o app a melhorar até a resposta ser um sim honesto. A régua não está lá pra barrar. Está lá pra puxar pra cima.